domingo, 1 de abril de 2012


Um dia inteiro segurando o choro porque homem não chora. Homens tem punhos fortes para debelar a si mesmos e deixar que a tensão das unhas cravadas nas palmas ecoe a dor silenciosa por braços e ombros até a parte mais funda do corpo onde algo parecido com o esquecimento o devolva a algo parecido com a paz ou o quase alívio dos enterrados vivos no momento em que a exaustão os convence de que não há mais nada a fazer. E no dia do juízo final de cada homem - o que nem sempre coincide com a morte - serão essas dores ressuscitadas que o guiarão a um lugar que se não for o paraíso será algo muito próximo a isto. Não por merecimento: mas por ser o único lugar que sobrou.

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