segunda-feira, 23 de maio de 2011


Muito bom. Com três anos de atraso, vi este final de semana. Um filme de gente grande. Genial a cena no estádio do Racing (e também a anterior, no bar, quando é revelada a "paixão" do bandido). 

Sim, tem um bandido. E tem também um mocinho e uma mocinha. E, como se não bastasse, o mocinho tem um amigo engraçado, que mistura de forma muito bem ajambrada o trágico e o patético. E  tem a cena da estação, no melhor estilo "Doutor Jivago". Trata-se de um "thriller policial", com todos os elementos que caracterizam o gênero. Mas também não é nada disso. Porque, por trás de tudo, tem a mão do escritor. Todos os personagens parecem flutuar a um centímetro do chão - mas, ao mesmo tempo, conseguem ser reais, de carne e osso - "anjos com asas de galinha", como já defini, em outra ocasião, a palavra "gente". É, em suma, aquilo que entendo por Filmão: uma obra cinematográfica que acontece a partir de uma série de clichês - mas só pra desmenti-los e/ou ironiza-los a cada cena (e, principalmente, a cada diálogo). 

Não querendo comparar um resultado com o outro, mas, em essência, foi o que o Sérgio Leone fez com os filmes de bang-bang, em "Era uma vez no Oeste" e no "O Bom, o Mau e o Feio". Lição muito bem aprendida pelo Clint Eastwood, que veio aplicá-la de forma didática e contundente em "Os Imperdoáveis". É também o que o Spilberg fez com os filmes de guerra, em "O Resgate do Soldado Ryan". Alguns filmes do Bruce Willis (é, ele mesmo) também são  exemplos desse princípio, só que aplicado aos "filmes de ação": um mocinho que vence no final, mas se fode o tempo inteiro, e - entre a obrigatória pancadaria e o próximo tiroteio - tem sempre algo interessante a dizer. 

Também não vou fugir do clichê ao comparar "O Segredo de seus Olhos" e sua indefectível "alma portenha" com um tango: gênero musical que - apesar do barulho e da dose de testosterona que exala - narra, no fundo, uma sofrida, delicada e pungente história de amor. 

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